Somos o Grupo de Pesquisa "Educação, Sociedade e Meio
Ambiente", formado em 2000 e registrado no CNPq (GRPESQ), composto
por professores-pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação (lato sensu,
mestrado, doutorado), que têm como objetivo investigar e intervir na resolução
de questões situadas na interface das temáticas educacional, do trabalho e ambiental,
enfatizando a análise de políticas públicas e propostas/ práticas dos diferentes
atores sociais.
Ana Maria Marques Santos (UFRRJ)
Graduada em Psicologia (UFRJ) Mestre em Educação (Universidade Estácio de Sá) Professora do Instituto Multidisciplinar de Nova Iguaçu, Curso de Pedagogia - Área de Educação Infantil (UFRRJ) Currículo Lattes
Título da Dissertação:
As relações de trabalho, meio ambiente e educação na Coopcarmo - Projeto Lixo é Vida: por uma sustentabilidade democrática da inclusão. 2005.
Resumo:
Este estudo objetiva analisar as experiências e práticas educativas desenvolvidas por uma Cooperativa de Reciclagem de Lixo, a COOPCARMO, situada na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Mais especificamente, procura enfocar a organização e relações de trabalho, os saberes teóricos e práticos que constituem a cultura do trabalho na cooperativa e as atividades socioambientais nela desenvolvidas, a partir das redes de ação coletiva que são estabelecidas com a comunidade, a partir da ótica dos cooperados, da liderança e da ONG Autre Terre, que apóia o projeto. Para compreender a articulação entre as questões do trabalho, do meio ambiente e da educação em uma perspectiva histórica, o referencial teórico do estudo fundamentou-se em Smith (1985); Marx (1988); Brighton Labour Process Group – BLPG (1997) e Saviani (1984). Para a análise do atual padrão de produção industrial – a acumulação flexível - e seus impactos sobre a crise ambiental, assim como a busca do desenvolvimento de uma sociedade sustentável o estudo tomou como referência as discussões de Antunes (1995); Grün, (1996); Layrarques (2001); Acselrad, (2001) e Deluiz; Novicki (2004), entre outros. No que se refere à abordagem educacional o estudo privilegiou a perspectiva da educação omnilateral, proposta por Marx (1978) e discutida por Manacorda (1991); Frigotto (2002); e Deluiz (1995). Tendo em vista o contexto em que se insere o objeto da pesquisa - a COOPCARMO, o estudo buscou identificar a crise do trabalho e a economia popular em diálogo, assim como sua intrínseca relação com a educação popular, apoiando-se em Gohn (2000); Coraggio (1991, 1995, 2000); Razeto (1993, 2001); Tiriba (1999, 2001, 2003); Freire (1992, 2001); Afonso (2001); Nasciutti (2001); entre outros. A educação foi compreendida a partir de Charlot (2004) como triplo processo de humanização, socialização e singularização.Trata-se de pesquisa qualitativa realizada a partir de fontes documentais do projeto cooperado e da ONG AutreTerre; de entrevistas semi-estruturadas com os cooperados, sua liderança, e com a representante e a facilitadora da AutreTerre no Brasil; além da observação de campo. Os resultados da pesquisa apontam que, além do propósito da Coopcarmo em buscar ser um espaço de inclusão social através da geração de trabalho e renda, são aí construídos saberes e valores que constituem a cultura do trabalho na cooperativa, que vão além dos necessários para a mera sobrevivência. Foram identificados elementos de uma perspectiva de educação omnilateral, de formação de sujeitos políticos construtores de suas histórias pessoais e coletivas e de uma concepção de meio ambiente na qual o princípio da eqüidade marca as relações socioambientais, buscando superar a visão utilitarista da relação homem-natureza, na perspectiva de rompimento com a lógica do mercado. Ao captar da ONG suas concepções e intenções em relação ao projeto da cooperativa foi possível observar o incentivo à autonomia do grupo tendo como foco a geração de trabalho e renda, mas uma posição que oscila entre o desenvolvimento da solidariedade e o empreendedorismo para o mercado. Entretanto, os cooperados, a ONG Autre Terre e a comunidade, encontram-se num processo em que a contradição vem marcando as relações entre eles e as alternativas que formulam como possibilidades, e no qual os princípios de uma sociedade sustentável precisam ser reafirmados cotidianamente por todos os atores sociais envolvidos.
Palavras-Chave: Educação e Economia Popular; Trabalho, Meio Ambiente e Sustentabilidade Democrática; Educação e Cooperativas Populares.